Inclusão no mercado de trabalho e o autismo

Além da diversidade, queremos INCLUSÃO.Nunca se falou tanto sobre inclusão no ambiente de trabalho, e naturalmente o assunto também se estende para a discussão sobre neurodiversidade. A poucos anos atrás falar em autistas no mercado de trabalho era um tabu, já que havia pouca informação sobre como pessoas neurodiversas lidariam nesse ambiente.

Uma pesquisa realizada nos EUA pela Autism Speaks, organização focada em promover soluções para pessoas com autismo, revelou que 81% dos indivíduos com espectro autista estão fora do mercado de trabalho.

Apesar de não haver dados estatísticos no Brasil, sabemos que ainda há muito o que ser feito.Em uma sociedade que muito se fala sobre diversidade e aceitação, está mais do que na hora das empresas repensarem como estão lidando com a questão do autismo.

O que é autismo?

Antes de nos adentrarmos sobre a inclusão no mercado de trabalho, vamos definir o que é o Autismo.

O autismo tem um nome técnico oficial, que é Transtorno de Espectro de Autismo (TEA). Trata-se de uma condição em que a pessoa pode apresentar, em vários níveis de intensidade, um déficit na comunicação social ou interação social (na linguagem verbal ou não verbal e na reciprocidade socioemocional), além de padrões restritos e repetitivos no comportamento (movimentos contínuos, interesse restrito e hipo ou hipersensibilidade a determinados estímulos sensoriais).

Sendo a principal causa do mesmo, a predisposição genética. No entanto, há evidências científicas que mostram que fatores ambientais podem impactar o feto, como estresse, exposição a substâncias tóxicas, infecções, complicações durante a gravidez, entre outros.

O TEA é uma condição permanente, ou seja, não há cura. Mas temos tratamentos complementares para melhorar a qualidade de vida e o bem-estar das pessoas.

Como incluir pessoas com autismo no mercado de trabalho e criar um ambiente inclusivo?

Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que existam por volta de 70 milhões de pessoas autistas no mundo todo. O Brasil, por sua vez, conta com por volta de 2 milhões de indivíduos com o Transtorno do Espectro Autista.

No Brasil, temos a Lei Berenice Piana que incluiu o autismo dentro do rol de outras deficiências que devem ser incluídas em vagas exclusivas para PCDs no mercado de trabalho. Dessa forma, o autista garante a sua inclusão no mercado de trabalho dentro da participação mínima para portadores de qualquer deficiência.

A desinformação e despreparo das empresas para receber pessoas com esse transtorno ainda são os maiores inimigos do autismo no mercado de trabalho. Para mudar essa realidade, é preciso mudar a forma de pensar e agir dentro das organizações.

Definimos algumas  ações que podem ser implementadas para tornar o dia a dia mais inclusivo.

Treinar adequadamente as lideranças

Uma equipe que conta com um profissional autista precisa estar preparada para recebê-lo. Para isso, é essencial treinar as lideranças para que entendam as peculiaridades do transtorno e as características específicas da pessoa.

O líder deve estar atento em relação às singularidades do autismo da pessoa para, assim, entender quais tipos de atividades são mais adequadas para ela. Alguns exemplos de aptidões comuns entre indivíduos com TEA são:

  • Habilidades relacionadas a questões lógicas e matemáticas;
  • Disposição para atividades repetitivas e metódicas, que consistem na manutenção de uma rotina;
  • Atividades com regras e padrões bem definidos;
  • Ótima memória visual e de longo prazo.

Incluir o tema nos comitês de diversidade

Outras questões relacionadas à inclusão já são debatidas nas empresas, como questões de gênero e raça. Em muitas organizações existem até comitês de diversidade que analisam e propõem melhorias nos processos da empresa em prol da diversidade.

Criar eventos educativos

Quando estamos falando sobre diversidade e aprender a “lidar com o diferente”, é muito importante conscientizar e informar as pessoas. Por isso, vale a pena considerar a realização de eventos educativos na sua empresa que visem colocar todos os colaboradores na mesma página em relação ao autismo no mercado de trabalho.

Uma maneira interessante de se fazer isso é convidando palestrantes autistas para contarem sobre suas experiências profissionais e sobre como é importante eliminar o tabu sobre o assunto.

Estruturar um RH com olhar para diversidade

Se o RH tiver clareza sobre as áreas que podem se beneficiar de um profissional autista e fizer processos de recrutamento que visam atrair essas pessoas, então estará contribuindo para uma organização mais inclusiva e diversa.

Empresas do ramo de tecnologia, por exemplo, costumam contratar pessoas com autismo além da cota mínima, pois tais indivíduos têm características importantes e vantajosas para esse segmento. Algumas delas são as características lógicas, matemáticas e artísticas.

Quais são os benefícios de ter autistas na sua empresa?

Enquanto muita gente detesta trabalhar com rotinas metódicas e repetitivas, quem tem TEA acaba tendo mais desenvoltura para esse tipo de trabalho. Também costumam ser pessoas com memória de longo prazo e visual, que são habilidades muito procuradas pelas empresas em determinados setores.

SAP: um exemplo de empresa que está no caminho certo

A multinacional que desenvolve softwares, SAP, conta com um programa de contratação chamado “Autism at Work”, no qual além da contratação de autistas para determinadas áreas, são realizados eventos educativos para orientar os demais colaboradores. O programa visa que o quadro de funcionários da empresa com autistas seja de 1% entre um total de 77 mil colaboradores no mundo todo.

Diversidade é o presente e o futuro

A diversidade é um assunto muito em alta hoje em dia. Cada vez mais vemos discussões e ações em prol da inclusão no dia a dia de trabalho,a diversidade é muito ampla e o autismo não pode ser deixado de lado.

Por isso, o autismo no mercado de trabalho precisa ser discutido e você pode contar com a CMF para fazer parte dessa mudança na sua empresa. Vamos juntos?

Dicas de conteúdo autistas:

Filmes e séries:

  • Atypical (Netflix)
  • The Good Doctor
  • Stimados Autistas
  • Temple Grandin

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